INFORMACIONES SOBRE EL "MAS NUEVO" PEIXE-BOI MARINO EN LA NATURALEZA
Reportagem de: Juliana Cavalcanti de la Agência Noroeste

RECIFE - Para quem se dedica à conservação do meio-ambiente e de espécies que se encontram na iminência da extinção, o nascimento de um indivíduo é motivo de muita festa. Esta semana os técnicos do Projeto Peixe-boi/Ibama têm muito o que comemorar. Nove anos depois de ter sido reintroduzido, o peixe-boi Lua deu à luz um filhote, na última quinta-feira, na praia de Maracaípe, no Litoral Sul de Pernambuco. Lua, que foi um dos filhotes órfãos resgatados e reintroduzidos à natureza pelo Projeto, concluiu o ciclo da vida e deu um novo ânimo às atividades do Projeto Peixe-boi - que há 23 anos se dedica a pesquisar e conservar este que é o mamífero aquático mais ameaçado de extinção da fauna brasileira.
O filhote, que foi batizado pela comunidade local de "Maraca", nasceu num estuário no Pontal de Maracaípe - uma área de mangue ainda preservada da ação da poluição e da degradação ambiental. É a primeira vez no Brasil que os técnicos do Projeto podem observar o contato da mãe com um filhote recém nascido em ambiente natural.
A prenhez de peixes-bois já havia sido observada em cativeiro, nos oceanários do Centro Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá (PE), onde já nasceram seis animais - inclusive o primeiro caso de gêmeos de peixes-bois registrado no Brasil. "Esse filhote é um símbolo, um marco do nosso trabalho. Lua foi um peixe-boi resgatado, reabilitado e reintroduzido pelo projeto há nove anos. O nascimento de um filhote dela completa um ciclo e significa que os trabalhos para conservação da espécie têm dado resultado", afirma Jociery Vergara, veterinária do Projeto.
O peixe-boi marinho (Trichechus manatus) é o mamífero aquático mais ameaçado de extinção da fauna brasileira. Estima-se que existam no máximo 500 animais no Litoral nordestino. A gestação dura 13 meses e nasce apenas um filhote, que depende totalmente da mãe até os dois anos de idade. "A mãe
ensina o filhote a respirar, a se movimentar na água e também a se alimentar", afirma a veterinária.
Jociery Vergara também destaca a importância da conservação dos mangues para que tudo tenha ocorrido com tranqüilidade. O peixe-boi marinho procura os estuários para parir, por serem locais mais tranqüilos e
com menos correnteza. A maioria dos encalhes de filhotes da espécie ocorre porque, devido à degradação ambiental, as fêmeas não conseguem chegar às áreas de mangue e acabam parindo em mar aberto, perdendo seus filhotes nas correntes marinhas. Indefesos, os animais encalham. "Graças à conservação
deste estuário, Lua pôde ter o parto ideal".
Para a bióloga Fábia Luna, o nascimento de "Maraca" é positivo principalmente porque proporciona o aumento da variedade genética da espécie. "Esse peixe-boi salva toda uma geração. Lua veio do Ceará e foi reintroduzida em Alagoas, onde a população de peixes-bois é muito pequena e onde, com o tempo, seria provável uma fragilização genética da espécie", destaca.
O equipe de técnicos do Projeto Peixe-boi pretende acompanhar o desenvolvimento do filhote à distância, minimizando o contato com seres humanos. "Quanto mais adaptação ao meio ambiente, menor a intervenção. No futuro podemos colher material para análise e verificar o sexo do animal. Filhote ainda é muito novo e acredito que o melhor que podemos fazer é observar o comportamento de mãe e filho. É uma experiência que nunca tivemos e é muito gratificante", destaca a bióloga.
O Projeto Peixe-boi/Ibama atua em todo o Nordeste, com bases em Alagoas, Pernambuco (sede), Paraíba, Ceará, Piauí e Maranhão. Em 23 anos, já resgatou 36 peixes-bois, com 11 reintroduções. Atualmente existem dez filhotes e oito adultos na sede do Projeto, no Centro Mamíferos Aquáticos/Ibama, em Itamaracá (PE). O Centro coordena também a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos no Nordeste (Remane), que resgata os animais em todo o Litoral nordestino.
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Ultima actualización: 06/04/2004